quinta-feira, 27 de junho de 2013

terça-feira, 25 de junho de 2013

Crônica Indignação e Mudança e Lista do Publish News

Rio de Janeiro, manifestação do dia 17 de junho de 2013

Indignação e Mudança

Temos testemunhado surgir um movimento de reinvindicação em massa.
Surpreendi-me com a manifestação e com alegria percebi que a indignação deixou de ser a conversa entre chopes nos bares, onde reformadores, por vezes muito irados, palestravam nas mesas entre pizzas fatiadas e bolinhos azeitados, com potentes projetos, mas sem nenhum ato concreto, sem atitude alguma relacionada às ideias desenvolvidas.
As querelas nos bares, nos restaurantes, nas reuniões de fim de semana agora saíram das malemolências brasileiras, onde tudo se aceitava e que se tornava no máximo esquete de quadro humorístico, mas sem ativismo algum produtivo. 
As passeatas me reportaram a um texto de Freud que discorre sobre a formação dos laços sociais através das identificações comuns. Como se a união em torno de um princípio de identificação comum formasse o totem coletivo. Todos juntos para deixar emergir no mundo real a força das ideias. 
Como uma bola de neve um grupo despertou outro, outro e outro de modo a perfazer o coletivo manifesto.
Isso tudo me lembrou do processo de transformação individual de uma pessoa diante do sofrimento. Enquanto ela apenas indignada reclama, apenas põe a raiva sob o desabafo, permanece inativa sem se constituir como um agente capaz de assumir a responsabilidade por si mesma.
O manifesto atual nos propicia a lição para a nossa vida pessoal. Ao observarmos a transformação da indignação em consciência dos direitos para a partir dela começar a realizar a manifestação interna, capaz de eliminar o traço inimigo, opressor de si mesma que a expõe a passividade diante de si, do destino e dos outros.
Na vida individual a mudança deixa de ser realizada enquanto a pessoa não estabelece o compromisso com as interdições necessárias às transformações.
Como disse Lacan há momentos na vida que necessitamos liberar o “Pensamento Mágico” e acrescento ainda que deve associá-lo ao esforço concentrado da Razão Humana Intencional.
Um país pode ser utilizado como símbolo de reflexão para o nosso mundo pessoal.
A passividade e a submissão despertam o carrasco e legitima a impunidade, pois nessas formas passivas e enfraquecidas as leis se diluem e desaguam. Na vida pessoal se faz semelhante: Se não somos os mantenedores de nossa ordem e nosso progresso o caos se estabelece.
No meio dos movimentos de equilíbrio pacíficos surgiram os vândalos, depredadores e representantes na sociedade das psicoses coletivas. 
Esses predadores sociais e urbanos localizados nas camadas inferiores da pirâmide social são reflexos de outros depredadores das camadas superiores da pirâmide hierárquica.
Os representantes das leis se tornam as leis da ordem psicótica onde tudo pode, pois o outro deixa de existir. Aqui podemos colocar mais uma ideia freudiana para explicar que as manifestações comportamentais são suscitadas pela interação de uma pessoa com outras pessoas ou pela mera expectativa dessa interação... Portanto, num mimetismo se faz embaixo o que no “paraíso celestial” está projetado como modelo: Depreda-se o que deveria ser mantido, melhorado ou construído.  Dessa forma se realiza o “Espelhamento das Psicoses”.
Você quer melhorar a sua vida psicológica?
Você quer sair do seu prejuízo emocional cotidiano?
Aprenda com esses jovens reivindicadores, os pacíficos, porém sadios e potentes demandadores de mudança.
Baudelaire disse: “Não se destrói realmente a não ser o que se substitui”.
Portanto substitua sua indignação de mesa de bar, de querelas sociais de tristezas para uma passeata interna.
Desenvolva a capacidade de governar a própria existência com intenção e inserção na construção de uma economia psíquica de alto nível.
O importante é que se aprenda com esta juventude sobre o manifesto para reduzir a inflação de egoísmo, os valores de vida frágeis e sobre a desorganização cotidiana.
Como afirmou Helena Celestino na coluna de Domingo do Jornal O Globo edição do dia 23 de junho “Pequenos protestos viraram movimento de massa na Inglaterra, França, Suécia e Turquia. Desemprego, crise econômica, conflitos étnicos... Agora chegou a vez do Brasil: a garotada botou o povo na rua e o mundo está perplexo. Por que o país campeão do otimismo, bom de futebol e de música, depois de uma década de crescimento... está com tanta raiva? As respostas que todos já deram violência policial... corrupção, impostos de Primeiro  Mundo com serviços de quinta, atenção zero a educação...”
Semelhante aos sofrimentos sem mando, ao se deixar ser sequestrado pelos destinos, você se oferece ao desatino de uma destinação a deriva. Uma pessoa desatenta de si mesma é como um país sem Olho Vivo. Torna-se refém do acaso, do destrato, da perversidade e do egoísmo. Sem vigilância o ruim não pede licença para chegar. O ruim perde a cerimônia.
Isso mesmo... Indignação e Atitude.
Tudo é uma questão de decisão.
Na vida emocional, pessoal, econômica e política, o que fazer?
Olho Vivo na sua Ordem e no seu Progresso.
Pessoa desatenta é Out...
Portanto: Indignação e Mudança.
Mude também o seu país interior.
Ordem e Progresso!
__________________

Lista do Publish News:
O livro entrou na lista do Publish News, a lista do mercado editorial, em 10º lugar na primeira semana.

1º - Kairós
Padre Marcelo
Principium
6277




2º - Casamento blindado
Renato e Cristiane Cardoso
Thomas Nelson Brasil
2520





3º - Eu não consigo emagrecer
Pierre Dukan 
BestSeller
2115





4º - Só o amor consegue
Zibia Gasparetto
Vida e Consciência
2053




5º - Meu jeito de dizer que te amo
Anderson Cavalcante
Sextante
1548


6º - O poder do hábito
Charles Duhigg
Objetiva
1018





7º - Nietzsche para estressados
Allan Percy
Sextante
937





8º - O método Dukan ilustrado
Pierre Dukan
BestSeller
911



9º - De bem com o espelho
Alice Salazar
Editora Belas Letras
754




10º - Pense bem
Manoel Thomaz Carneiro
Casa da palavra/LeYa
733

terça-feira, 18 de junho de 2013

Desfazer Laços Para Desfazer Nós? Pertencer é Viver

Recebi uma foto de uma menina que perdeu a mãe na guerra e no chão do pátio do orfanato desenhou com giz a figura de uma mulher e depois se deitou sobre a mãe simbólica como buscasse se aconchegar no colo daquela que não existia mais... Ficou ali parada como se estivesse sendo acolhida da profunda sensação de desamparo e saudade que carregava em si.


Esta imagem da menina sobre a mãe de cimento, a mãe onírica me comoveu a ponto de revê-la algumas vezes. Quando a tinha sob os meus olhos me reportava aos conceitos sobre nossa vida intrauterina e toda a correlata condição de perfeição que vivenciamos durante esses noves meses e me levei também a pensar sobre a nossa necessidade psicológica de ter um “outro” em nossa vida que nos propicie a sensação indispensável de amparo.
Qualquer ser deseja encontrar alguém em que se possa confiar e contar.
Quem deixa de sonhar com esse amparo?
Conquistar esta certeza do outro apazigua nossas inseguranças e fortalece nossa confiança para se viver o cotidiano. Necessitamos beber dessa fonte de amparo, assim como necessitamos de água.
As mães sem nome, aquelas que perderam os filhos por alguma doença ou acidente que agora irão receber a benção do Papa, representam na união entre elas, essa busca para a formação do colo acolhedor e apaziguador desenhado pela menina órfã.
Quando nascemos somos muito abraçados e por vezes com o tempo esses abraços se tornam rarefeitos e se reduzem a esbarrões ou toques da vida sexual.
A modernidade exacerbou o conceito da formação do self e da autonomia absoluta onde a necessidade pelo outro passou a ser considerada como algo neurótico. Ideias como: “Se você pode fazer sozinho... Então faça!”
“Você deve desenvolver o Self Service: autonomia; liberdade absoluta; se amar e se bastar totalmente”.
A amplitude deste conceito foi tão difundida que trouxe em muitos o constrangimento em admitir a necessidade de sentir que pertence a alguém ou que necessita de um olhar de apoio e amparo.  
A mentalidade do self distorcida de servir por si, de viver por si trouxe esse sentimento de solidão acompanhada que as pessoas carregam atualmente.
Quantos estão cercados de pessoas, inseridos em vidas sociais e profissionais, mas com medo de criar vínculos, com medo de aprofundar as relações pelo medo de criar a dependência? Muitos aderiram a esta ideia de independência absoluta sem perceberem as consequências emocionais negativas que derivam daí. Estão plenos fora, mas impedidos de se alimentar dentro.
Estão ligados, mas sem conexão.
Não se vai fundo nas entregas para preservar a autonomia. 
O que isto gerou?
- A sensação de desamparo - A sensação de solidão acompanhada.
Desfizeram os nós neuróticos da simbiose, mas esqueceram de manter os laços.
Criou-se a “Síndrome do Eu” e a “Sociedade do Fico, Mas Não Permaneço”, onde se está longe de oferecer a certeza das permanências.
No mundo atual, o corpo objetivo se relaciona, mas o corpo subjetivo está impedido por este conceito de modernidade de viver os elos.  
Eis o lema de uma falsa psicologia: “Independência em tudo ou morte das relações e obrigações”.
Clarice Lispector tem a expressão “Somos o Outro do Outro”, onde preserva a si quanto ao risco da absoluta fusão, mas sem invalidar que para ser um eu deve haver o outro que nos une e com isso diferencia.
A ideia de treinar a independência absoluta congela a nossa humanidade e traz a dificuldade de entrega que atualmente assistimos nas relações de amizade, sociais e íntimas.
Para se desfazer os nós que atavam as pessoas até os anos 50, numa condição de anulação e recalque, esqueceram de preservar os vínculos. Esqueceram os laços ao desfazerem os nós.
Hoje considerados “espertos” são os desatados, são os “Self Live Emotion”.
Somos feitos das misturas desde o óvulo e o espermatozoide que se fundem através do abraço profundo de dois corpos que se tornam nossos pais. Evidente que para nascermos temos que sair do outro, mas para encontrar logo outro que nos acolha, ampare e depois tantos outros que nos ensinam... e de outro em outro nos tornamos o Eu.
Um Eu capaz de se preservar, mas capaz de se entregar.
Na matéria de capa da Revista de Domingo do dia 16 de junho, discorrem os depoimentos sobre as dores vivenciadas nas perdas e no consequente doloroso rompimento dos laços e ali se vê o papel fundamental dos novos elos que são gradualmente estabelecidos para se manter o laço com a vida.
Você precisa de ar para respirar, vai treinar poucas quantidades para não ser dependente? Vai tentar se bastar sem água? Sem proteínas?
Apenas para não ser dependente vai se tornar anoréxico? 
Para evitar os excessos se mergulha no nada?
Foto de Lilya Corneli - A frieza da solidão

A armadura afetiva seca a alma...
A alma se hidrata de fertilizantes da convivência com ternura e gratidão do encontro.
Os laços que damos nos cadarços dos sapatos dão firmeza no caminhar... Calçam a nossa existência. Sem eles com o tempo nos tornamos descalços e suscetíveis a machucados ao andarmos.
Laços estão longe de serem Nós.
Crie laços em tudo que faz, em todos que ama para que sua alma possa se sentir conectada e portanto acompanhada.
Como tão bem disse Clarice Lispector: Pertencer é Viver!!!


sábado, 15 de junho de 2013

Lançamento do Pense Bem no Rio de Janeiro

Recebi na 5a feira, dia 13, uma declaração por escrito de Laura Gasparian – proprietária da Livraria – informando que o lançamento do Pense Bem no dia 11 de junho bateu o recorde de vendas e frequencia em noite de autógrafo em todos os 35 anos da história da Argumento.
Obrigado a todos que com o carinho da presença criaram este momento na minha vida.
Nestas fotos que recebi, alguns flagrantes do lançamento que para mim parece um sonho.
Comentário sobre o livro:

“Adorei a delicada mistura de psicanálise, relato pessoal, cinema e literatura. 
Isto sim é um saber pulsante!!! Parabéns!!! Já estou esperando o próximo. Abraços.” 

Marcelo Elmann
psicanalista

O autor com Gisella Amaral e Virgínia Diniz Carneiro

Manoel Thomaz Carneiro entre Alessandra Curvello, Geórgia Buffara, Erika Sales e

Luiza Dale e Andrea Correa

Andrea Rudge e Renata Fraga

Manoel Thomaz Carneiro e Maria José Prior

Maria Pia Marcondes Ferraz e Carlos Montenegro

Manoel Thomaz Carneiro e a atriz Giulia Gam

Maria Clara Tapajós e Manoel Thomaz Carneiro

Christiana Malta e Manoel Thomaz Carneiro

Manoel Thomaz e Rosane Messer

Cristiane Gama e Cristina Friedheim

Paula Accioli, Angela Massoni e Stella Abinader

Sonia Arrigoni e Manoel Thomaz Carneiro

Angela Massoni e Manoel Thomaz



Fotos: Armando Araújo

terça-feira, 11 de junho de 2013

Fazer Alegrias e Felicidades

Nos fins das tardes de domingo, quando sento no meu pátio para estudar, ouço o burburinho das pessoas que ficam no bar ao lado do meu prédio. Quando começa a transmissão do futebol, as vozes se potencializam nos gritos de excitação, às vezes raivosos, às vezes contentes. Tudo acontece como se fosse a sonoplastia de algo invisível para mim, mas que posso bem imaginar através dela as cenas e com isso acompanhar as sequências.
Muitos poderiam afirmar que ali está a demonstração da felicidade humana através de uma diversão. Tal conceito é um engano.
As pessoas misturam as palavras porque confundem sobre a diferença entre alegria e felicidade.
Emoções e sentimentos possuem diferenças e são respostas a processos distintos em relação à vida.
Uma viagem a Paris, ao Vietnam ou a Disney são garantias de felicidade?
Quando seu time faz um gol, o seu namorado agradece a sua gentileza, quando se é promovido no trabalho, quando se compra um carro, quando se constrói uma casa vive-se eventos positivos que atingem o nosso sistema límbico, localizado no cérebro que produz como resposta uma emoção.
A palavra emoção deriva de “movere”, ou seja, um acontecimento positivo nos move, nos mobiliza e produz uma resposta emocional.
Emoção é uma resposta do nosso sistema cerebral de prazer ou desprazer diante de um evento do nosso dia.
Seu time perdeu? A tristeza virá como resposta, mas infelicidade é outra questão.
Alguém que você gosta muito telefona e ainda conta uma boa notícia? Isso terá o poder de “mover” a alegria, mas a felicidade é igualmente outra questão.
Portanto quando o seu noivo pede você em casamento num momento especial, como resposta emocional terá a alegria, mas está longe de ser a garantia da presença da felicidade.
O que é a felicidade?
É um sentimento e está relacionado com o modo pessoal de se avaliar, de como você se percebe em relação ao seu corpo e em relação as suas competências.
Por isso uma pessoa pode estar vivendo momentos de grandes alegrias e carregar a sensação de infelicidade intrínseca e, portanto se considerar infeliz.
O que se compreende sobre a filha de Michael Jackson? Paris Jackson tenta o suicídio cercada de aparatos de riqueza, cercada de potenciais razões para a alegria, mas denuncia através desta tentativa que está desabastecida de algo interno.
As pessoas torcem para que as coisas boas aconteçam e muitas vezes elas chegam, mas são desperdiçadas porque estão destituídas de um senso de valorização de si por si mesma. Sob um trecho da entrevista do médico Dr Luiz Roberto Londres, posso ajustar a esta ideia quando afirma que “Hoje a gente vê que outras dimensões estão sendo mais valorizadas que as pessoais: tamanho, empresa, dinheiro, conglomerados.” Se ganha fora e se esquece de ganhar outras potências dentro de si.
Quantos afirmam de maneira impaciente ao que não está bem: “Você tem tudo e não é feliz!” São os analistas selvagens que condenam e julgam a dor do outro sem o conhecimento psicológico das verdadeiras causas.
Sempre me vem neste aspecto as pessoas como Marylin Monroe que atingem a notoriedade sem se transformarem internamente com o que conquistaram. Continuam a carregar um menino diminuído, uma menina insegura desabastecida da noção de capacidade ou competência pessoal. 
A felicidade se alimenta da ideia saborosa que damos a nós sobre algum valor pessoal, sobre uma competência diante de um propósito de vida.
Sabe-se por estudo que quando uma pessoa ganha um grande prêmio, com uma soma em dinheiro, o que ela adquire promove um estímulo de excitação que terá a capacidade de mantê-la em estado de alegria por dois anos, mas que de modo algum irá modificar o registo da felicidade.
O que fazer?
Passar a encontrar um propósito na vida. Se apropriar dele e se investir da percepção das competências internas para realiza-lo.
Você sabe o seu?
Lembro-me de uma amiga que me disse que o dela era passar amor. Orgulhava-se muito disso e ultrapassava todos os problemas cotidianos para sempre viver este aspecto.
Como disse o filósofo Espinosa a terra é uma substância que se mantém pelo propósito de continuar sendo ela. Joga-se tudo de poluente e ela continua se refazendo sem perder o seu propósito de existir. A Terra é insistente, pois estamos só maltratando-a com poluentes imensos.
Um excelente jogador de futebol tem o propósito de jogar e fazer a sua parte com competência. Se for famoso, mas não tiver noção de valor pessoal pode até viver a alegria do sucesso, mas não irá conseguir experimentar a vivência da felicidade.
Felicidade está longe de ser euforia.
O meu propósito na vida é explicar a dor de modo que cada um que passa por mim possa saber trata-la e muitas vezes evita-la.
Ultrapasso as barreiras que a vida me impõe, sejam elas físicas ou não e me instigo na continuidade porque sei para onde ir, o porquê ir e para que ir.
Outro dia estava com uma dor imensa devido a uma virose potente que me invadiu. Tinha três aulas a dar e decidi ultrapassar o que sentia para realizar o meu propósito. Ao final da terceira turma, mais do que alívio de ter cumprido um dever, mais do que a alegria de ter dado e vivido momentos tão bons com meus alunos, senti a felicidade de realizar o meu propósito e a felicidade derivada da percepção da força que meu jogador interno me liberou para eu fazer o gol dos Propósitos.

Pode-se escolher ser um grande pai, um grande médico, uma grande doadora de amor, um grande aconselhador, o importante é que se abasteça com a certeza de suas certezas.
O importante é que você possa entrar em campo consciente do porquê corre de um lado para outro, driblando os adversários para fazer o seu gol. 
O importante é que você sempre corra através de um jogador interno seguro de seu valor.
Faça um gol em seus propósitos e grite sua vitória na conquista da felicidade.
Ponha seu time em campo.

Imagens: GettyImages

terça-feira, 4 de junho de 2013

Faz Muito e Fica Pouco

Outro dia, um homem me disse de um modo indagador que carrega a sensação de não estar envolvido no que faz. Vive como se estivesse sempre por detrás das situações, muito mais numa posição de observador do que de protagonista. Falou-me que nada o abastece, como se tudo que ele realizasse o escapasse. Disse-me algo como se sentir um perdulário da própria vida, pois nunca consegue ter a sensação de que usufrui profundamente o que vive.
Este depoimento está longe de ser um testemunho isolado.
Muitos carregam esta sensação que o tempo passa e as coisas parecem seguir na diluição, sem deixar signos dentro de cada um.
Vivem como se o corpo objetivo estivesse numa viagem experimentando as situações, mas o corpo subjetivo estivesse impedido de vivenciar, de segurar, de se nutrir e com isso produzir a internalizada presença da vida. Alguns reclamam inclusive que esquecem o que fizeram.
O que está acontecendo?
O mundo em que vivemos como afirma o psiquiatra e psicanalista Joel Birman é uma fonte permanente de surpresa que nos pega de forma contínua.
Hoje, nesta modernidade prega-se a ideia de que para se construir a sensação de existir deve-se viver de forma frenética. A ideia de intensidade ou mesmo profundidade foi substituída pela velocidade.
Na expectativa de conseguir realizar a vida nessa intensidade que o atual impõe, a pessoa acaba envolvida no mundo dos excessos.
Incapaz de barrar essa exigência ela passa a realizar apenas performances, porque se torna nessa forma impedida de extrair mentalmente as sensações de vivência. 
É nesse contexto que surgem as sensações de esvaziamento do tempo e a subjetiva sensação de ausência no que faz. Como afirma Birmam, as pessoas estão sem espaço para que a simbolização das situações seja realizada mentalmente.
Sem pausas entre uma tarefa e outra, no total encadeamento frenético de tudo que fazem, as redes neurais ligadas às memórias de prazer e vivências, ficam sem o tempo necessário para realizarem os processos de assimilação. 
Vive-se fora, mas não se registra dentro nos setores límbicos do prazer profundo.
Vejo pessoas tão frenéticas que parecem nem pisar no chão que caminham. Zanzam de um lado para outro e chegam em cima da hora para tudo, nos cinemas, no aeroporto, na festa, na ginástica e até na sexualidade devem viver como a personagem de Faye Dunaway em Rede de Intrigas, em que ela ganhou o Oscar e o Globo de Ouro, na cena em que na cama com seu amante ela fala no telefone com a emissora de televisão na qual trabalha, anota no papel ideias e beija. Apesar da presença da horizontalidade do sexo permanecia com a cabeça na verticalidade dos comandos da vida diária.
Aonde estava?
Na ansiedade de se sentir potente, capaz e moderna esgotava a si e a vida a cada segundo.
Inseridos nesta dinâmica de hormônios do estresse, para a glória dos laboratórios, se entopem de químicas para criar antídotos contra a sensação de ausência da vida.
Ser moderno é hoje ser ligado e com isso se excede na “Síndrome do Wi-Fi”, ou no chamado “Complexo de BlackBerry” onde vive-se sem pausas para a reflexão ou assimilação sobre as situações e os momentos  experimentados.
Isto está tão grave que a Microsoft estabeleceu que os e-mails recebidos fora dos horários de trabalho, entre sexta-feira e domingo estão isentos da obrigação de serem respondidos pelos funcionários.
O que ficou em você do ultimo filme?
O que você leu no jornal de hoje?
O que permaneceu de mais forte do seu dia?
Aonde você está?
Para que as memórias emocionais de prazer possam ser estimuladas deve-se ter um tempo para a simbolização do que se vive ou viveu.
Fui assistir com duas amigas o filme Terapia de Risco e apesar das entradas já estarem compradas, chegamos antes, bebericamos cafés, borbulhamos em conversas e depois nos sentamos para deixarmo-nos ser invadidos pelo instigante script. Terminado o filme saímos para jantar e levados pelos vários temas do enredo, percorremos nossas vidas quase por inteiro. Fizemos diante das delícias, uma terapia sem risco.
Uma noite que foi simbolizada e irá permanecer nas horas em que irei recorrê-la.
Sair de um filme e sentar para jantar e realizar a atenção reflexiva sobre o visto, faz além de um exercício de intelectualidade, uma possibilidade da mente transformar a experiência em vivência.
O que isso significa? O seu programa irá abastecer você e trará a sensação de se ter vivido, mais inserido no que fez.
Conforme o psicólogo Sérgio Sinay afirma: “Para viver no presente é preciso haver um passado, é necessário passar pelo tempo e deixar um rastro. Do contrário, vive-se só no momento fugaz”.
Chegue mais cedo, para que a mente possa absorver e se preparar para viver o que você programou para que a sua vida seja interessante.
Ao terminar de ler esta crônica você irá passar de imediato para outra coisa? Dê uma pausa para que o conteúdo seja simbolizado e possa este seu momento de leitura nutrir a sua essência.
Faça com que a vida de fora aconteça dentro.
Faça um pouco disso e tudo ficará muito mais em você. 
Sabe aquela sensação que o tempo se foi e nada deixou? Tem a ver com você mesmo. Ele sempre dura os instantes, somos nós que podemos eternizá-los em nossa alma.
Pense mais no beijo que deu, no banho que tomou, na viagem que fez nos orgasmos que teve e transforme vida em vivência.
Todo dia é dia de começar.
Entre uma coisa e outra ponha você.
Faça Muito, mas Faça Melhor.

Imagens: GettyImages